sexta-feira, 3 de junho de 2011

Desfocado

Retinas secas
mirando desertos
onde há cactos suculentos.

Jardins de águas internas
arrecadadas em invisíveis entranhas
aparentando sonhos negros.

Retinas secas
obcecadas do azul
de um céu hipnótico e sem sabor.

Retinas secas
comunicando anfibologia
na ambiguidade do ser.

Retinas secas
auto piedosas
apenas sequiosas de ruína.

Retinas úmidas
ao olharem adentro
a verdade do Centro

Lágrimas alegres
vendo reflexos
do verbo poder...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Realidades

O amor não morre.
É eterno.
Sempre contínuo
Nunca pequeno.
Dele choro e usufruo.

Pode calar,
até fingir calamidade
e não mais cantar...

Porém, a maldição
que rege qualquer paixão
é a eternidade.

Terra sem mar

Gaivotas chegam na praia triste.
Retornam onde nada existe.

Os mesmos murmúrios,
conchas e versos.
Empréstimos de fugas.

Penúmbra do dia
prisão da noite,
alma perdida
quebrando a fonte.

Ela foi tudo,
pura de dádiva.
Ele cego
alma de sangue ávida.

Ela amou como nunca
ele manchou nome e cerne.
Ela perdoou,
Ele se perde.

Auto estrada sem fim era ela
ele só viu uma viela.

Olhos pequenos,
sem luz ou amor
olha o mar
sem ver o condor.

Voeja e não vê,
reclama porquê?

domingo, 15 de maio de 2011

Sonho de areia

Asas mentais
perfuram galáxias;
traças humanas
estabelecem falácias.

Jardin de sonho
esparge nectar melífero;
espinho bisonho
erra mortífero.

Sem vida sem nada
erram as penas
de tinta sujas
tudo envenenas.

Minha alma serena
abre comportas,
de amor plena
chora o que abortas.

Te amo te quero
te abomino.
nada é sincero
no teu domínio.

Minotauro,
lobisomem,
nesse labirinto
nada te sustém.

Te amo te quero
te averso.
Quem é esse
terrível verso?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Matiz

Tanta forma, vibração e dor
aguentam as variações do amor...

Amo tanto em tantos matizes...
me revejo, me arrumo, me deslumbro,
me apunhá-lo, me grito, me perfuro...

Tudo tudo
tão profundo e tão sincero,
tão esquecida de mim, do que sou e do que quero...

Limite

O amor se expande
na imensidão das asas.
A águia vê, assombra e existe.

O amor cintila
no reflexo do cristal.
O diamante tilinta triste.

O amor imenso
na crista da duna.
Grão de areia sem conta persiste.

Amor sem fronteira,
amor sem rota.
Amor que ama e não brota.

Amor infinito,
o mundo sonhando,
num grão de mustarda hibernando...