sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sede

Na vastidão da solidão
Possuo-te.
Acomodado na taça,
Te cheiro
Te saboreio
Te inundo do meu anseio.
Te conto esta mágua.

A minha boca embriagas,
Inundas do teu sabor,
Me invades até a amídala
Entonteces a língua,
Perdes-me num céu vermelho,
Tilintas espumas de devaneio
Invades este sangue
Na solidão do prazer.

No gozo de até à última gota beber,
Aflita me avizinho
De mais e mais desejar,
e te querer sem parar...

Nesta cegueira te confundo.
Quem és,
Pertences a que mundo?
Ó gota rubra
Que vem da uva
E se sublimou em vinho.

domingo, 7 de novembro de 2010

Além da procura

Busco-te nos confins da Terra,
Nos primórdios da existência,
Na razão da Verdade e da quimera,
Nos princípios da tendência.

Busco-te nas cordas deste violino,
Nas teclas desta fremência,
Naquilo que seria o teu ninho,
Na escuridão da incerteza.

Busco-te no cio do pesadelo,
Nos compassos desta exigência,
Nos palácios, nas grutas e no desvelo
Na incoerência da coerência.

Busco-te no labirinto do meu ventre,
No cérebro do meu coração,
Neste sangue tão quente,
No devaneio do perdão.

Busco-te na perdição do encanto e do sonho;
No impulso da fantasia e da histeria
No mais escondido tesouro,
No túmulo do vampiro por quem morreria.

Busco-te na agitação orgânica do desejo,
Na tirania do corpo mais selvagem e indomável,
Na noite prateada de luzes em cortejo,
No hélio do sol mais intocável.

Busco-te nos músculos e neurônios em reboliço,
Nas cartilagens, nas veias, nos ossos, nas escamas,
Nas bruxas, nas fadas, nos demônios o feitiço,
Nas barcas, nas ondas, nos picos, nas camas.

Busco-te no meu suspiro, na minha hipótese,
Na veleidade da maior utopia,
Dentro da hipnose,
Da maior insanidade da heresia.

Busquei, nada encontrei.
Em que universo gravita essa parte de mim?
O corpo em um cofre enclausurei,
A mente levanta um voo sem fim...

sábado, 6 de novembro de 2010

O que vês?

Diante do espelho...
muito queria a cega
ser lida.

Que alguém descrevesse a sua alma.
Como a via, como a sentia...
que contasse a sua entrelinha.

A cega queria sua alma perfurada.
Queria esse alguém para descrever
como ela era, como a lembrava.

A cega queria ser desbravada.
Queria que soprassem olhos nos ouvidos,
queria solstícios do eco que era...

Ele a sabia, estudara;
Era o único raio de luz da retina,
a cega olhava o espelho e ouvia...
.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sonhos escondidos

Caminhos convergindo
num jogo matando inocentes.
Ela aprendeu, a alma sobreviveu.

Ele ria, embebedava-se,
ela digna feita abelha construía,
esquecia, restaurava-se.

Outros níveis clamam por asas,
Ela voa para cima da montanha.
Ele se atrasa sem brasa.

Provocações desinquietam,
orações de nada servem...
Se amo, amo o amor e não reclamo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Capacidades...

Queria amar, amar, amar
queria desaparecer no outro,
queria ser a areia no fundo do mar.

Queria dar, dar, dar
no beijo, na mente, na alma
Queria ser a paixão da paz e da calma.

Queria...
sonho impossível,
apenas melodia.

Verdade, onde pairas?

O menino e o lobo...
Um dia foi verdade,
mas a mãe ficou alheia.

Os deuses iniciam poemas,
renunciam a deusas,
mentindo-se a si mesmos...

transitar é preciso,
num mundo pálido e sem feitiço,
a sobrevivência está em perigo.

Feliz? Os outros aí navegam.
Risos, amores bem ditos...
Alma rindo na lágrima do desencanto.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As diferenças entre Religião e Espiritualidade

Desconheço o autor

As diferenças entre Religião e Espiritualidade
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprende com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.