segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Sem corpo só alma.
ainda procura o sol intocável.
Só letras sem ilusões,
poderiam ainda ribombar vulcões.
Se ele cantasse, se ele sorrisse,
se ela não mais sonhasse,
se a rima impetuosa
ainda embalasse...
O sonho morreu,
mas a alma é vida,
Se ele a amasse,
na noite perdida...
Sem matéria, sem toque,
sem querer estar,
apenas ser
e a alma dar.
Contentando a mente,
o cerne do amor,
ela queria viver sem dor.
Palavra ensolarada,
de um sol etéreo,
longe e presente
real e aéreo,
bombardeando
energia incoerente
deste amor profundo
quase inocente.
Jamais a chuva mergulharia na terra,
a terra não beberia o maná,
mas a alma que se funde
a solidão enganará.
Para sempre longe,
correndo na ponte efêmera
ela deseja uma quimera...
Palavra sentida, profunda na dádiva
ela aproxima a montanha sem escada.
Ele paira no pico desmedido,
ela espera um amor perdido.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Mentindo
vomitando flores
a letra ressurge
do pântano das dores.
Mãos prazenteiras
com olhos de aço
crepitam em fogueiras
sem alma ou regaço
Consumando a vida
nasce a morte
de amor desprovida
lançando medo e... sorte
Ilusão sem mente
traição sem punhal
ela lhe mente
sem lhe querer mal.
A letra esconde,
mostra e desdenha
despedaça e sente
de vácuo já prenha
A letra linha, a página cheia,
todos os livros desta colmeia...
Luas e sóis sem chão ou ar
me comem por dentro
sem o teu olhar...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
VISITA AO POSTO DE SAÚDE
Consulta no posto de saúde do Rio Vermelho, Florianópolis.
09-02-2011
Marquei consulta no posto de saúde em meados de janeiro.
Hoje, embora a consulta estivesse marcada para as 8 horas da manhã, cheguei no posto às 7 horas e 30 minutos. Os portões ainda fechados. Esperei na fila, tendo 7 pessoas na minha frente. Peguei num livro e lia quando um senhor chegou e perguntou se a fila era ali... Disse que sim com pena da inteligência de algumas pessoas.
Quando o pessoal chegou e abriu o portão, entramos para o estacionamento, ficando no vestíbulo externo do posto por alguns minutos, mas qual não foi o meu espanto, vejo o homem que tinha estado atrás de mim - de pé junto à porta. Quando a enfermeira ou empregada ou voluntária abriu a porta lembrou que deveriamos tirar a senha. Assim fiz e fui dirigida à entrada de uma sala à qual chamam auditório. Numa mesa estava outra empregada pedindo os cartões e, para aumentar o meu espanto, o mesmo homem era o primeiro da fila. Não resisti, cheguei perto dele e perguntei se ele não estava atrás de mim. Ele respondeu algo obtuso. Entretanto eu tinha perdido a minha vez na fila, a qual já tinha umas trinta pessoas quando a empregada avisou que a médica só atenderia 20. Deixei passar 4 pessoas na minha frente e entreguei o meu cartão para de seguida entrar no auditório. Sentei-me e quando ia começar a ler o meu livro o tal homem, olhou para mim e acusou-me de fazer o mesmo do que ele, que eu também tinha passado na frente dos outros. Tudo bem...
Quinze páginas do meu livro mais tarde, chegou a médica e fez um pequeno discurso sobre diabetes, enquanto eu pensava no que teria acontecido com a minha consulta marcada para as 8 horas. Nessa altura todo o mundo foi “convidado” a fazer exercícios, os quais duraram menos de um minuto. Sem comentários. Então a médica perguntou se todos tinhamos medido a pressão arterial. Ninguém tinha e ela ficou perplexa, ou assim me pareceu. Ela saiu da sala e os três primeiros pacientes sairam junto para medir a pressão. Seis páginas do meu livro mais tarde, levantei-me e fui perguntar a uma voluntária, por sinal simpática e com muita paciência, por que razão demorava tanto tempo medir a pressão arterial de alguém. Ela respondeu que eles já iam diretamente para o corredor onde estava o consultório para serem atendidos.
Entretanto, um senhor com ar de “macho” estava sentado, também esperando a sua vez para medir a pressão. A volutária simpática perguntou-lhe se ele também ia fazer o teste dos diabetes. Ele disse que sim, mas da pressão não era preciso porque ele nunca tinha feito. (E ainda há quem conte anedota de português...)
Finalmente medi a minha pressão, 11 / 7. Quando chegou a minha vez de ser atendida a médica examinou a “ficha” da pressão e disse que estava muito boa. Eu (só por ironia) disse que tinha subido ali no posto, pois o meu normal é 10 / 6. Ela, olhando para mim como se eu fosse uma ignorante, repetiu que a minha pressão estava muito boa. Procurou o meu nome no computador e como não encontrou, eu disse que DeSouza é junto. Ela perguntou de onde eu era e respondi América, o que parece te-la enfurecido, pois eu tenho este sotaque lusitano com uns rasgos saxões. De modo bem arrogante disse, “mas vocês lá pagam seguro de saúde”. “Sim, mas quando nos aposentamos, além de não pagar somos tratados da mesma maneira, não como gado”. Respondi pensando que o problema dela talvez fosse matéria sem ideais...
Ela ainda perguntou se eu tenho tido as visitas. “Que visitas?” “Para medir a sua pressão na sua casa”. Ela ainda não tinha ouvido ou reparado que a minha pressão é baixa!!!!!
Entreguei-lhe a receita anterior, a qual já tinha caducado, principal razão para essa consulta. É um remédio para a tiróide, que tenho de tomar diariamente. Também me queixei de uma grande dor na perna. Foi então que ela me disse que eu não tinha de estar ali, pois as consultas desse dia eram só e apenas para pessoas diabéticas e com pressão alta. Respondi que tinha marcado uma consulta normal, a culpa não era minha que tivessem feito um erro, ao que ela respondeu “A culpa não é minha, hoje é só para diabéticos e pessoas com pressão alta - não devia fazer isto, estou fazendo um favor passando esta receita”. Nem acusou ter ouvido que eu tinha dor na perna.
Sabendo que me estava “esticando”, mas como já tinha na mão a caixa do premarim, perguntei-lhe se não se importava de também passar uma receita do mesmo remédio. Aí ela ficou bem zangada, claro, com um certo controle. Perguntou há quanto tempo eu tomava isso, respondi 20 anos. Ela disse que eu tinha de marcar uma consulta e ser vista por um ginecologista, etc. Ela não perguntou se eu ainda tinha ovários e eu só respondi que há mais de um ano marcara uma consulta e nunca me chamaram. Além disso, a que tinha marcado para hoje era exatamente para falar de tudo isso. Ela deu-me a receita dizendo que só me dava o premarim para um mês, enquanto que normalmente seria para três meses. Disse também que arriscava muito a sua posição por me receitar tal coisa. A expressão arrogante de um rosto sem vestígios de sorriso deu-me vontade de lhe fazer uma consulta, mas eu não tinha bata branca vestida...
Pensei então que estava livre, teria apenas de passar pela farmácia do posto. Fiquei na fila. Uma mulher... como quem é transparente, passou na minha frente. Tudo bem... A farmaceutica (assim quero pensar que seja) entregou-me os remédios da tiróide e um creme. Disse-lhe que eu não tinha pedido tal coisa. Ela mostrou a receita, eu mostrei a mesma caixa que tinha apresentado à médica. Aí a farmaceutica disse que a doutora tinha-se enganado e ela ia pedir para retificar. Eu disse que não, estava com muita pressa. Vim embora, mas antes a farmaceutica averiguou e estavam em falta.
Assim foi a minha ida ao posto de saúde. Segundo me disseram, este é um dos melhores...!!! Graças aos deuses que ninguém morreu ou ficou ferido, só na alma. Ninguém pode acusar sem experimentar. Agora eu sei, posso falar.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
I had to Share...
Why sleep if I cannot remember?
Why close my eyes if I can't fly?
Or to have senses if feelings are numb?
It must be a reason to hope and try.
That night during my sleep I was awaken.
I flew over valleys of ever changing flowers,
I went to realities of forbidden worlds.
Voices whispered secret thresholds.
Changing horizons I was in awe
I had feelings totally new.
When I returned I wasn't the same.
I had to tell you, you had to know.
My heart is too small to keep it there.
The things I learned I had to share.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Seria...
tudo te veneraria,
os anjos te abririam alas.
Os cumes mais altos seriam teu leito,
as planícies mais férteis o chão do teu cavalo.
Alados véus e ninfas o teu regalo.
Em meus braços serias um deus,
aprenderias a força do incondicional
abririas do paraíso o grande portal.
Teu prazer em viver,
a paz no teu ser,
a grandeza da alma,
em meu corpo irias colher
Tudo te seria dado,
tudo seria pouco para o meu amado,
Tudo foi na cauda do cometa - sequestrado...
Ainda...
quando a verdade era vomitada,
quando o sonho era crematório...
Quando a voz cantava rosnando,
quando o leão vestia cetim,
quando o desejo se esparramava
numa cova simulando jardim...
Quando o verbo queimava,
quando a alegria chorava,
a juventude brotou na masmorra...
Quando ela mais do que adorava,
quando ela o mundo salvava
uma nova filosofia tudo arruinou,
por calvalgar na hipocrisia
que o universo desmoronou...
Outra dimensão a salvou.
Outros interesses a balancearam,
Ela ainda ama
voando no eco do que cantaram...
Defesas...
a alma labareda ecoa
a terra inunda a água.
Medonhos vulcões ribombam
o som da sua voz,
melodia atômica...
O fingir se acasala à incerteza,
a impertinência desassossega,
a paz só vem na doçura da morte.
